20 Anos de Ausência!

8 Set

foto filmesA figura do mundo do cinema a qual dedicaríamos um primeiro artigo, em exclusivo teria que ser uma daquelas “pessoas maiores que a vida”, que quase parecem ter saído literalmente de um qualquer filme. No caso é alguém que pertence a geração de cineastas americanos, muitas vezes descritos como os “renascentistas” do cinema americano. E que apôs duas longas-metragens fortemente aclamadas na década de 70 (tendo inclusive ganho uma Palma de ouro), evaporou-se completamente do panorama cinematográfico por mais de duas décadas. Levando a um cem número de especulações acerca do seu paradeiro.

Autor de um dos filmes mais aguardados do ano, e cuja ausência no Festival de Veneza deste ano (a decorrer entre o dia 1 e 11 deste mês), foi das mais notadas. The Tree of Life/A Árvore da Vida, envolto em muito secretismo mas ao que parece, já com estreia garantida para o final deste ano (o projecto contara com as participações de Brad Pitt e Seann Penn nos principais papeis. A historia situar-se a nos anos 50, a volta de uma família americana com três filhos, e devera incidir sob a perda da inocência. Sabendo-se pouco mais sob o argumento, o filme esta categorizado como sendo um drama fantástico).

De volta a premissa desta história, indagamos como é que alguém com apenas três longas-metragens realizadas, mediando 20 anos entre a segunda e a terceira, se transforma simultaneamente numa lenda e perda para o cinema americano?

Teremos que puxar um bocado o filme atrás: Terrence Malick nasceu em 1943 nos E.U.A, e formou-se em Filosofia por Harvard. Chegou a leccionar filosofia no M.I.T, e também foi jornalista freelancer durante algum tempo. Mas em 1969 realizaria o seu primeiro filme, uma curta-metragem intitulada Lanton Miles, que seria muito bem recebida. Na década seguinte estriaria a sua primeira e segundas longas-metragens, com as quais ao lado de outros grandes nomes que também surgiriam a data (Scorsese, Coppola, Spielberg, Lucas…), conotados com o tal “Renascimento de Hollywood”. Influenciaria e ajudaria a renovar o cinema norte-americano por completo.

Esses dois filmes foram, o vibrante Badlands de 1973, e depois o assombroso Days of Heaven/Dias Do Paraíso de 1978, com o qual ganharia a Palma de Ouro em Cannes no mesmo ano. Após o qual retirar-se ia da vida pública e do cinema até ao ano 1998, circulando vários rumores que davam corpo aos porquês de tal afastamento, e sob qual o seu real paradeiro. “Um de tais rumores alegava, que ele se teria remetido a uma vida de reclusão num local remoto.” Mas o facto é, que durante muito tempo pouco se soube sob desses anos, sabendo-se hoje que ele leccionou em França entre 1979 e1994. E que provavelmente a sua retirada do cinema se ficara a dever, ao facto de não estar interessado em subjugar a sua arte, as mãos das imposições dos poderosos estúdios de Hollywood. E que o seu afastamento da vida pública se deveria ao facto de não estar interessado em tolerar as pressões do meio, preferindo trabalhar sem a intromissão da média. Tudo o resto são especulações e rumores, uma vez que nunca ofereceu-se para confirmar ou desmentir, ou sequer dar algumas pistas ou explicações sob o sucedido nesses anos.

Descrito como homem humilde e caloroso, pelos que o conhecem bem. Efectuaria um estrondoso regresso ao cinema, com o filme A Barreira Invisível/The Thin Red Line, em 1998 (com o qual ganhou o Urso de ouro, no festival de Berlim). Tendo atraído para o “cast” do filme um número significativo de nomes de peso (Nick Nolte, Sean Penn,George Clooney, John Cusack, John Travolta, etc.) Muitos dos quais aparecem apenas alguns minutos em cena, mas não quiseram perder a oportunidade de trabalhar com ele! Contribuindo de imediato para sua áurea de lenda viva do cinema, tal ao impacto causado pela sua obra, em apenas três filmes. Contudo não se lhe pode desassociar de um certo sentimento perda, já que não se consegue ignorar os seus longos 20 anos de ausência da realização, e o que estes poderiam ter significado para o cinema.

Badlands (1973): conta a historia baseada em factos reais, ocorridos nos finais dos anos 50, em Dakota (badlands). Sob a espiral de assassínios perpetrados por um casal de jovens, ele com 25 anos (interpretado por Martin Sheen), e ela com 15 anos (papel desempenhado por Sissy Spacek, que apesar de a data contar 24anos, aparece bastante credível como teenager de 15). O filme é uma espécie de odisseia deste casal, muito ao género de “Bonnie & Clyde”, ou mais recentemente de um “Assassinos Natos”. Mas que apresenta como grande trunfo, o facto de não estar interessado em atribuir grandes juízos de valor. Quase como que limitando-se a seguir aqueles personagens, sob as paisagens magnificamente fotografadas no filme.

Dias Do Paraíso/Days of Heaven (1978): porventura um dos mais belos filmes já mais feitos, possuidor de uma beleza esmagadora. Bem patente na “superlativa fotografia”( já mencionada por nós no artigo, o Look do cinema). A historia passa-se no inicio do século 20, quando um casal que se faz passar por irmãos (Richard Gere e Brooke Adams), abandona a miséria industrial da cidade de Chicago. Para procurar trabalho no campo, nos estados do sul, estabelecendo-se ai um triangulo amoroso, com o dono da fazenda que os acolhe (Sam Shepard). Destacar ainda o papel da actriz Linda Manz, que interpreta a menina que narra a história.

A Barreira Invisível/The Thin Red Line (1998): nomeado para 7 Oscars no mesmo ano de “O Resgate Do Soldado Ryan”, acabaria por ser derrotado. Mas apesar do tema da guerra tratado nos dois filmes, ambos não podiam ser mais diferentes. Esta adaptação da autobiografia de james Jones (1962), sob os acontecimentos passados em Guadacanal, no ano de 1942 durante a 2ªGuerra Mundial. Embora igualmente preenchido por dramáticas batalhas, apresenta um estudo e visão da guerra bastante mais completo, oferecendo-nos um verdadeiro exercício de profunda meditação, sob insanidade da guerra. O filme revelaria ainda ao grande público novas caras como Jim caviezel, ou Adrien Brody (que desempenha um soldado completamente aterrorizado, não emitindo um único som durante o filme inteiro).

Os seus dois outros filmes até a data, são o já citado Lanton Miles (1969) e mais recentemente, a sua quarta longa-metragem, ONovo Mundo/New World de 2005 (um poético romance de época, que conta a historia do explorador John Smith e Pocahontas. Versando os primeiros contactos entre os colonos Ingleses e os índios (Native American), no decorrer do século 17).

Curiosidades e peculiaridades da sua obra: escreveu o guião de todos os seus filmes; consta sempre nestes, a narração por parte de um ou mais personagens; elegem sempre a natureza como uma das principais presenças dos mesmos; usam a maior iluminação com luz real possível; e decorrem sempre no passado.

Para uma melhor visita a obra de Terrence Malick, trazemos hoje 2 vídeos.

Nº1 Fizemos uma inovação, e em vez do trailer do filme, trouxemos-vos os espectaculares créditos iniciais de Dias do Paraíso.
Nº2 Trailer de A Barreira Invisível

http://www.youtube.com/v/y0MWKOLiAdI?fs=1&hl=pt_PT&color1=0x234900&color2=0x4e9e00

http://www.youtube.com/v/LCmlOhsIwBk?fs=1&hl=pt_PT&color1=0x234900&color2=0x4e9e00

3 Respostas to “20 Anos de Ausência!”

  1. Ana Setembro 8, 2010 às 2:11 am #

    Será sempre a eterna questao do porquê de um espaço tão grande entre as suas produçoes (motivo pelo qual tambem ficou conhecido)…… Especulaçoes á parte, penso que durante essa ausência poderia ter enriquecido ainda mais o cinema…mas escolhas são escolhas e lá terá tido as suas razões,,,🙂

  2. daniel baptista Setembro 8, 2010 às 2:28 am #

    É sempre bom ouvirmos uma opinião conhecedora e sensata. Não podia estar mais de acordo, consigo Ana:)! E se calhar a magia da sua obra reside mesmo aí, nesses espaços e mistérios. Quem sabe…

  3. Ana Setembro 8, 2010 às 2:53 am #

    Acredito sinceramente que sim, que a “magia” reside mesmo aí…Ha coisas que têm de ser feitas com o seu devido tempo…e na altura certa…
    Na maioria das vezes pressoes comerciais (ou de outro tipo) acabam por não darem os resultados esperados…(muito pelo contrario)…

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