NA LISTA NEGRA DE HOLLYWOOD

18 Ago

Focaremos hoje as nossas “objectivas”, não na famosa lista negra particionada pelo senador Joseph McCartney nos finais dos anos 40, e que se perduro pela década de 50. Mas antes de uma espécie de lista, que se apresenta num plano mais “virtual”. E que muito embora não possua as implicações nefastas que a referida lista do “Macartismo” teve. Quer do ponto de vista pessoal, bem como profissional, junto dos membros da comunidade de Hollywood. Não deixa esta nossa lista, de se apresentar corrosiva para carreira dos mesmos!

A infame Lista Negra de Hollywood foi criada durante a célebre época da “caça as bruxas” nos Estados Unidos. E versava por englobar os nomes dos guionistas, actores, realizadores, etc. Que fossem simpatizantes, membros do partido comunista americano, ou simples suspeitos de comungarem de ideais esquerdistas. Para assim, os boicotar e negar trabalho em Hollywood. Resultando daí, processos como os 10 de Hollywood, o Panfleto de Red Channels (1950), mas sobretudo o declínio e destruição de inúmeras carreiras, e um crescente clima de suspeição e delação entre membros comunidade do “show business” americano. A qual ninguém parecia estar imune, e nomes como os de Orson wells e Edward G. Robinson, foram denunciados ou pelo menos associados. Guionistas tiveram que escrever ao abrigo de pseudónimos (Dalton Trumbo escreveu Spartacus sob o nome de Martin Ritt, e nem pode mesmo assinar, o Férias em Roma), ao passo que outros como *Elia Kazan* ficariam associados como colaborantes e principais delatores, dos seus pares.

Hora a nossa lista é muito menos sinistra que a sua congénere, na qual a sua “agenda politica”, é tão simplesmente versada pelos critérios e práticas, que os estúdios estabelecem hoje em dia na sua colaboração com as suas estrelas. Podendo mesmo dizer-se que a única coisa que ambas comungam, existe apenas num plano metafórico.

A lista a qual nos referimos, não existe de uma forma factual, real. Mas sim antes, como uma mão invisível que é capaz de pegar em numa carreira de 15 anos, e em apenas 120minutos coloca-la em lista de espera! Ou veta-la a um completo esquecimento. Do qual poderá nunca mais regressar, já que esta lista negra caracteriza-se por se assemelhar a uma espécie de buraco negro para o qual se é sugado, ou para o qual se deportado temporariamente, ou para um todo sempre…

É pois este processo do qual os estúdios de Hollywood são os principais obreiros, mais para qual os respectivos visados também contribuem, e no qual “nós audiência” também damos um empurrão. Que tentaremos exemplificar nos 4 exemplos que se seguem:

Tom Cruise: parece nos hoje uma visão longínqua e distante, os anos em que o seu “appeal”, junto do público transformava filmes destruídos pela crítica (Cocktail), em autênticos “blockbusters” de verão. As constantes controvérsias que tem sido associada ao seu nome nos últimos anos, adicionada ao facto de MI: 3 não ter repetido os feitos monetários dos seus subsequentes, levaram a Paramount a anuciar em 2006, o fim do contrato milionário de parceria com a produtora de Tom, que vigorava a 14 anos. Mas o facto de maior relevância, se descontarmos o péssimo A Guerra dos Mundos (2005/mas que não deixou de ser rentável) e o já referido “insonso” MI: 3 (2006). E constatarmos que na última década ele teve filmes bastante bons (Vanilla Sky, Minority Report, O Ultimo Samurai, Colateral), capazes de agradarem quer a crítica, como de gerarem boas receitas nas bilheteiras.

É o facto de nada disto servir para afastar de si o mau “mojo” que parece apoderar-se da sua carreira, e ao qual o já estriado Dia E Noite, parece vir atestar (uma vez que não tendo corrido mal, ficou aquém dos números dourados que se esperariam para uma película que apostava tudo no espírito, próprio do verão). A carreira de Tom Cruise encontrar-se nesta altura numa encruzilhada, onde as palmadinhas nas costas dos executivos de Hollywood já vão longe no tempo (teve que abdicar de parte do salário em MI: 4, para manter o projecto viável para 2011), e a possibilidade em tornar-se “poison material” agudiza-se! Assumindo este próximo filme, um papel crucial para poder demonstrar que ainda tem “star quality”, ou que se transformou em membro permanente da Lista Negra dos Estúdios.


Kevin Costner: já reservou para si um lugar de destaque na história do cinema americano. Quando nos finais dos anos 80, inicio dos 90, altura  em que era o então actor mais requisitado de Hollywood, cometeu a proeza de realizar, produzir, e desempenhar o principal papel do a todos os níveis fabuloso, Danças Com Os Lobos (1990). Mas desde a data de títulos como Intocáveis (1987), Campo de Sonhos (1989, ou JFK (1991), muita coisa mudou!

Algo ao qual não devera ser alheio, o flop que se viria a revelar Water World nas bilheteiras em 1995 (o filme mais caro da historia, na alura), bem como a escolha de alguns projectos pessoais como de “Post Man”, ou ainda os rumores de que granjeou algumas inimizades politicas em Hollywood. Não tanto pelo filme, mais antes pelas posições que tomou e advogo subsequentemente ao filme JFK. O facto é que apesar de manter uma posição de respeito no meio, nunca mais conseguiu quer como actor ou como realizador, reaver o seu antigo estatuto! Mantendo-se assim o filme O Guarda-costas (1992), ao lado da cantora Whitney Houston como o seu ultimo campeão de bilheteiras (no que aparentemente, se poderá considera ter sido um “verdadeiro canto do cisne para os dois”).

William Friedkin: assim a primeira poucos se lembraram dele, mas se falarmos em O Exorcista (1973), e Os Incorruptíveis Contra A Droga/French Conecction (1971), com certeza tornar-se a muito mais fácil. Duas obras que lhe escancararam as portas da fama em Hollywood, primeiro em 1971 quando se tornou no realizador mais novo de sempre a ganhar o Óscar nessa categoria, e depois com O exorcista, como alguém capaz de criar um clássico instantâneo, campeão de bilheteiras. Mas todo esse capital foi desbaratado pelo próprio, quer pela escolha dos projectos subsequentes em que se envolveu, (foi indicado para framboesa de ouro, como pior realizador pelo filme Cruising de 1980) quer pela sua personalidade arrogante e insuportável, que se diz ter passado a evidenciar após o sucesso alcançado. Que aliadas a sua fama perfeccionista e autoritário no “set”, o levariam pelo seu próprio pé para essa lista invisível, dos nomes a evitar pelos grandes estúdios.


Debra winger: aquela que poderá ser considerada a namoradinha da América nos anos 80, o equivalente a Júlia Roberts dos anos 90. Também despontou num filme ao lado de Richard Gere, Oficial E Cavalheiro (1982), tendo definitivamente conquistado a crítica e os corações do público com o Laços De Ternura (1983). Ganhou depois a fama de difícil, rejeitando inclusive alguns papéis (de entre os quais o aclamado papel de Glenn Close em Atracção Fatal, para o qual havia sido convidada inicialmente), e apresentando exigências que a levariam a figurar no top do “ranking” dos actores considerados complicados pelos estúdios. Algo que se viria a revelar nefasto para sua carreira, provando ser outra via de entrar paras listas negras dos estúdios de Hollywood.

*Seleccionamos para o vídeo da semana, a famosa cena entre Marlon Brando e Rod Steiger, no filme A Lodo No Caís/On The Water Front (1954), de Elia kazan (que muitos entenderão como sendo a forma do mesmo se retratar dos seus actos durante o Macartismo, ao passo que outros a encararam, como sendo apenas uma forma para justificar os seus actos). “Aniway este autêntico tesouro do cinema merece ser visto e revisto, seja lá qual for a razão!*

http://www.youtube.com/v/eeVq1e6JKlw?fs=1&hl=pt_PT&color1=0x234900&color2=0x4e9e00

2 Respostas to “NA LISTA NEGRA DE HOLLYWOOD”

  1. Ana Agosto 18, 2010 às 3:41 pm #

    Quer pelas opçoes que tomem,quer por vezes, pela maneira de estar na vida, existem realmente certos actores(e nao so…) que vao ficando eskecidos…Um bom desempenho pode faze-los ficar na Historia para sempre….um mau desempenho pode condena-los ao eskecimento….

  2. dardevelin-blogtastico Agosto 19, 2010 às 1:57 pm #

    @Ana
    Subscrevo as palavras da Ana…

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