A Rapariga Com A Tatuagem Do Dragão.

4 Ago

Millenium, a aclamada trilogia literária de Steig Larsson, o segundo escritor que mais vendeu no mundo inteiro, no ano de 2008. Foi adaptada para o cinema com enorme sucesso em 2009. O primeiro capítulo da saga que entre nós obteve o título de, Os Homens Que Odeiam As Mulheres (que diga-se de passagem, ser bem mais fiel ao original sueco. Do que, o que titula este nosso artigo, numa referência directa ao título que o filme sueco recebeu nos EUA: The Girl With Dragoon Tatoo), foi distinguido em 2009 com o prémio do público, no European Film Award. Tendo os subsequentes romances criminais da trilogia (Millenium2: A Rapariga Que Sonhava Com Uma Lata De Gasolina; Millenium3: A Rainha No Palácio Das Correntes De Ar), entretanto também já adaptados ao cinema com assinalável sucesso. Despertado a cobiça de Hollywood!

Estando já, o aclamado realizador americano David Fincher (Seven/O Misterioso Caso De Benjamin Button), a trabalhar no “remake americano”, do primeiro filme da referida saga. Tendo sido anunciado a dias, que o actor Daniel Craig “007”, ira desempenhar o papel do jornalista Mikael Blomkvist. Consistindo nesta altura como maior equação do projecto, encontrar a actriz capaz de desempenhar a personagem de Lisbeth Salander . A altamente elogiada pela crítica e pelo público hacker, “estilo Kick ass “ (representada magistralmente na saga original, pela actriz Noomi Rapage). Circulando já vários nomes de actrizes jovens, destacáveis no panorama de Hollywood que aspiram ao referido papel (o ultimo nome a juntar-se a especulação, foi o de “Kristen Stewart-Crepusculo”).

É assim, que perante uma locomotiva de Hollywood já em marcha e pronta a zarpar a todo vapor, que dizemos que o jornalista/escritor/activista político, Stieg Larsson (1954-2004 que infelizmente não viveu para ver o sucesso mundial desta sua obra, galardoada em 2006 com a chave de vidro pela Academia Sueca de Ficção criminal. Nem a transformação dos seus livros, em thrillers mistério de sucesso na tela). Estaria longe de imaginar, que a sua obra se iria tornar tão rapidamente, na próxima fonte de ré inspiração fora de portas, dos estúdios de Hollywod.

Que é a final de contas o nosso tema para hoje! A capacidade que Hollywood tem demonstrado ao longo dos anos, para ré inventar-se através do talento alheio (mais concretamente, através do cinema produzido extra muros americanos).

Algo que acontece desde os primórdios dos estúdios, e que tem contribuído largamente para capitalização da sua hegemonia no panorama mundial, em termos de alcance, distribuição e aceitação do seu produto. (Se no inicio, o cinema mudo americano dos estúdios, limitava-se muitas vezes em adaptar as obras vitorianas! Com a revolução de Eisenstein, e dos cineastas russos ao nível da montagem, mas sobretudo fortemente influenciados pelo então poderoso cinema alemão dos anos 20, “onde pontificavam nomes como F.W. Murnau, Fritz Lang, ou Marlene Dietrich”. Os estúdios norte americanos, não se ficaram por enquadrar as histórias estrangeiras, bem como as estrelas internacionais. E passaram a importar também o talento dos realizadores estrangeiros, beneficiando para tal também do ambiente instável que se fazia sentir na Europa, pré e posterior Segunda Guerra Mundial. Recebendo de braços abertos nomes como Hitchcock, Wilder, ou os já acima citados cineastas alemães. Porém é no período pós guerra, já em pleno neo-realismo do cinema italiano, do acontecimento que é Kurosawa, que se torna mais evidente este refazer dos filmes estrangeiros, sob forma de adaptação a “lá americana”. Destinada quer ao público americano, como ao estrangeiro!

Observando-se então a redefinição do cinema de Hollywood através de parâmetros do cinema pós neo-realista italiano, de Fellini, Antonioni,etc. Indo mesmo ao ponto do western americano, ré inventar-se nos alicerces dos Spaghetti westerns! Ou do mainstream” americano passar a incorporar no seu ADN, os genes da “nova vaga” francesa de Truffaut e Godarad. Sobre saindo todas estas influências, na geração de cineastas americanos dos anos 70,Coppola, Scorsese, Lucas, Spielberg, De Palma, Altman, entre outros. Que viriam a mudar a face do cinema americano e dos estúdios para os anos vindouros, até a presente data.)

É chegada a hora de reflectirmos, se ao manancial de sequelas, “pré-quelas “, e adaptações literárias de Hollywood. Muitas das quais feitas em piloto automático, queremos agora juntar as cada vez mais crescentes adaptações de sucessos internacionais, para a versão “Hollywodesca”!

-Fazendo uma meia culpa, quero sugerir a todos amantes do cinema que passemos a separar o trigo do joio. E que prestemos uma maior atenção, dando todos nós enquanto público, um maior suporte a todo o bom cinema que se faz por este mundo fora. Para que não fiquemos, reféns duma qualquer versão feita por Hollywood (ressalvar que não se pretende um qualquer sectarismo para com Hollywood, muito menos alimentar um certo preconceito artístico, manifestado muitas vezes aos filmes dos estúdios. De todo inapropriado, visto haverem muitas e grandes obras que só foram possíveis, graças aos estúdios! Portanto, pretendemos apenas, fomentar o ampliar dos horizontes cinematográficos, globais).

Finalizamos em jeito de rodapé, assinalando alguns exemplos destas adaptações americanas. Ficando patente que mesmo no âmbito das tais adaptações, existem muitas bastante decentes. Outras, que em nada ficam a dever as originais, e claro, algumas que não estão de todo a altura:

O Aviso/The Ring (2002): é o exemplo digno maior realce nos últimos anos, das adaptações feitas por Hollywood a partir de filmes estrangeiros. A obra japonesa Ringu (1998), é daquelas que gozou de igual sucesso em ambas as verões. Sendo que a versão americana, segue quase de fio a pavio a estrutura narrativa do filme japonês. Distinguindo-se apenas do original, por apresentar pormenores mais detalhados ao nível da realização. (Este filme teve o condão de iniciar uma verdadeira demanda por parte dos estúdios americanos, na adaptação de filmes de terror asiático. Que culminou num verdadeiro chorrilho de filmes, que se revelariam pouco mais do que insonsos, tais como: A Maldição/The Grudge, Aguas passadas/Dark water, ou O Olho/The Eye.)

Rec (2007): ainda no mesmo registo de terror, este fantástico filme espanhol. Foi convertido numa chalaça feita a pressão, que atende pelo nome de Quarentena/Qurentine (2008).

As Asas do Desejo/Der Himmel Über Berlin (1988): aqui o aclamado filme de Wim Wenders, muda-se de Berlin para L.A, e assume-se como Cidade Dos Anjos(1998). Saldando-se por ser um romance fantástico bem conseguido, não consegue contudo! Suprir-nos do visionamento da superior obra original.

Os 7 Magníficos/The magnificent Seven (1960): substitui os samurais por cowboys, e o Japão do século XVI, pela pradaria western. Não obstante, o facto de não possuir a mesma densidade e qualidade cinematográfica que o filme de kurosawa, Os sete Samurais (1954). Rivaliza por completo, em termos de popularidade junto do público, reservando porventura para si, o lugar do mais famoso remake produzido pelo cinema americano!

Resta nos dizer, que ontem como hoje, Hollywood continua mestre na arte de levar os seus filmes as grandes audiências. Quer seja no passado, com as versões americanas que Hitchcock fez aposterior,  de alguns dos seus filmes ingleses. Ou no revisitar de obras antigas, como foi o caso de Steven Soderberg  e o clássico russo de ficção cientifica  solaris. Do “copycat “ A Assassina, do filme francês de acção, Nikita. Ou já nesta década, através da grande tirada que foi manter Penelope Cruz, no mesmo papel em Vanila SKy* que já havia desempenhado no filme originário de Espanha, De Olhos Abertos*.

* Confesso que neste caso, gosto mais da versão americana!*

Não perca o nosso video da semana, uma montagem original do Blogtástico: Vanilla Sky VS Abre los Ojos.


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